Por que Dilthey não fez escola, como wundt, james, freud e outros?: Ideias sobre uma psicologia descritiva e analítica à luz da história da psicologia

Felipe Figueiredo De Campos Ribeiro

Resumo


O objetivo deste artigo é passar em revista os principais argumentos do ensaio Ideias sobre uma psicologia descritiva e analítica (1894) de W. Dilthey. Isso para, em seguida, tecer alguns comentários sobre o porquê de o programa diltheyano não ter, na prática, feito ecos na história da psicologia moderna. Na contramão do que chamou de modelo explicativo e construtivo da psicologia, Dilthey tentou fundamentar detalhadamente, no ensaio em questão, todo um programa epistemológico e metodológico alternativo para a emergente psicologia científica. Programa esse cujo princípio fundamental era o mesmo do da sua Introdução às ciências humanas (1883): demonstrar a improficuidade, o grande erro de ponto de partida, que seria tentar importar para as ciências humanas nascentes - sem toda uma acurada reformulação no modo de olhar para o seu objeto – o mesmo modelo praticado pelas ciências da natureza. Porque, se esse fosse aplicado sem crítica ao estudo do fenômeno humano, desvivificaria o seu objeto. Dilthey concluiu que o estudo da psicologia, para não reduzir o seu objeto e ao mesmo tempo não perder a objetividade, deveria ser descritivo e analítico e proceder segundo o método histórico (e não segundo uma míope psicofisiologia proveniente das ciências da natureza). Este programa – cuja sistematicidade bem acabada teoricamente justificaria a formação de uma escola – parece não ter prosperado no âmbito das formações do psicólogo ao redor do mundo contemporâneo porque seu método levou a psicologia para longe do âmbito da técnica e da aplicação. Isso talvez deflagre o quão, para impor-se e “sobreviver” no social, a difusa e sem unidade ciência psicológica tenha sempre dependido, mais do que de teorias bem acabadas que enfeixem luz em alguma coisa, das suas modalidades de intervenção. Enquanto as Ideias diltheyanas restaram “esquecidas” (ou restritas às faculdades de filosofia), foram as psicologias “destinadas a fornecer um conhecimento útil para a previsão e controle dos eventos psíquicos e comportamentais” aquelas que efetivamente colonizaram os sistemas teóricos e, sobretudo, as práticas das psicologias europeias e norte-americanas da primeira metade do século XX.


Palavras-chave


W. Dilthey; história da psicologia; epistemologia; metodologia; ciências humanas

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